A dimensão social e simbólica da rua

Fernando Brandão Alves

Resumo


Há mais de de um século que a rua tem sido palco de experimentações sucessivas, dirigidas não só à sua própria estrutura física como às relações que estabelece com os edifícios e os espaços envolventes. A grande viragem para um novo modelo de rua ocorre no séc. XX com os postulados modernos - CIAM -, que, de uma ou outra forma, privaram a rua da sua função tradicional e cívica, imputando-lhe sobrecargas protagonizadas pela motorização que acabaram por conduzi-la à ruptura social1. Mas, foi na rua (e na praça) que se institucionalizou o movimento e a vida dos cidadãos. Neste artigo retoma-se a narrativa da importância da rua tradicional, enquanto lugar priveligiado de interação e de cidadania, à luz das suas qualidades urbanísticas intrínsecas, como a contenção da escala, a noção de lugar de encontro, de interação social e cívica, a imagem e a simbologia, a segurança e o conforto, entre outras. Cumulativamente, destacase a sua capacidade de perpetuar ainda hoje, na cidade contemporânea, as qualidades urbanas indispensáveis não só à vida cívica plena e inclusiva, mas também o capital cultural imbuído na tradição dos princípios de composição harmoniosa dos espaços, porventura (re) equilíbrador do confronto da diversidade morfológica e da complexidade das estruturas urbanas recentes.


Palavras-chave


etimologia da palavra rua qualidades da rua; padrão social da rua; noção de lugar simbologia urbana

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