Estratégias linguístico-discursivas de tratamento humorístico da morte em comerciais televisivos

Annamaria da Rocha Jatobá Palácios

Resumo


Este texto procura identificar e compreender, do ponto de
vista semântico, abordagens humorísticas desenvolvidas
pela narrativa publicitária quando anuncia produtos e
serviços e os relaciona ao universo simbólico da morte.
O tratamento cômico empregado pela publicidade quase
sempre pauta-se pela incorporação do inesperado,
da surpresa, das associações e metáforas livremente
empregadas. Portanto, mesmo ao enfrentar o conhecido
medo ocidental diante da morte, a publicidade a
aciona, enunciativamente, por meio de estratégias
linguístico-discursivas que dela zombam, caçoam,
tripudiam e fazem graça. A prática publicitária enfrenta
o permanente desafio de estabelecer distinções entre
incontáveis produtos funcionalmente semelhantes, a
fim de conquistar potenciais consumidores, constituídos
por públicos cada vez mais diversos e segmentados. O
atual interesse dos homens do marketing em incorporar
produtos e serviços associados ao universo simbólico
da morte pode ser explicado pelo fato de que ela (a
morte) é a inexorável certeza que atinge a todos nós.
A análise é alicerçada em pressupostos das teorias
semânticas, em particular das teorias da argumentação
(Ducrot) e dos postulados teóricos desenvolvidos
por Grice, nos domínios das reflexões identificadas
como da pragmalinguística. Pontuais contributos
sociológicos, antropológicos e filosóficos auxiliam na
compreensão de parte do legado histórico sobre a morte,
na cultura ocidental. As estratégias linguístico-discursivas
empregadas pela publicidade, quando aciona produtos
e serviços direta ou indiretamente relacionados com o
universo semântico da morte, são observadas em alguns
comerciais televisivos selecionados para tal fim.


Palavras-chave


comunicação e cultura contemporâneas; discurso publicitário; humor; morte

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