Qual a pertinência da infografia na receção e interpretação da informação meteorológica em Televisão?

Marcelo Brites, Óscar Mealha, Rui Rodrigues

Resumo


O presente artigo propõe-se investigar e
compreender a forma como o telespectador percebe
e interpreta a infografia da meteorologia televisiva,
no contexto da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), e
quais os principais pontos de interesse e problemas
na composição infográfica adotada. Desta forma, é
apresentado um estudo com recurso ao eye tracking,
baseado em três testes distintos e aplicados a três
grupos de participantes que compõem uma amostra
gerada por conveniência. Os testes diferem entre si nos
estímulos que proporcionam a cada um dos grupos: um
recorre exclusivamente ao áudio, outro apenas ao vídeo
e, finalmente, um terceiro com ambos os estímulos,
em registo audiovisual. Os resultados indiciam que
os estímulos onde existe maior nível de perceção, são
os estímulos que contenham a componente áudio
isoladamente ou agregada ao vídeo. Estes factos apesar
de não se traduzirem em resultados generalizáveis,
são suficientemente relevantes para revelar a
pertinência e rigor da narrativa falada numa unidade
de informação audiovisual desta natureza, fortemente
suportada na dimensão infográfica. Os resultados
revelam ainda fragilidades nas opções de composição
gráfica, nomeadamente de morfologia e cor em
determinados locais, levando a confusão entre formas
de terreno e artefactos infográficos meteorológicos.
Surgiram também outros problemas relacionados com
contraste entre os elementos infográficos utilizados e a
representação de fundo, de mar e/ou terra.


Palavras-chave


infografia; receção; interpretação; meteorologia televisiva; eye tracking; atenção seletiva

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