Aspectos culturais e identitários nas músicas de intervenção Cabo-Verdiana

Ludmila Jones Arruda

Resumo


Inserido nos estudos de Lusofonia, o presente
trabalho pretende analisar alguns aspectos presentes na
música de intervenção de Cabo Verde compostas entre
1935-1975, período em que compreende o Estado Novo
em Portugal. O retrospecto da colonização portuguesa e as
condições impostas às colônias nesse período resultaram
na luta dos povos africanos pela independência. Com
o intento de reafirmar a sua identidade, Cabo Verde,
espaço escolhido para o presente estudo, revela em
suas produções culturais e literárias valores que mais
o caracterizam – tais como a mestiçagem e a questão
linguística – elevando o que é africano e o que de fato faz
parte da vida do cabo-verdiano. É importante salientar,
que muitas dessas canções de protesto só chegaram ao
conhecimento do público após a Revolução dos Cravos,
ocorrida em abril de 1974, devido à censura imposta pelo
governo salazarista. Ainda nesse período, na última fase
da colonização portuguesa, por razões várias, como a
fome, a seca e a falta de trabalho, o povo cabo-verdiano
foi obrigado a emigrar em busca de melhores condições
de vida. Com base nos dados de António Carreira (1984),
Gabriel Fernandes (2002; 2006) e Leila Hernandez
(2002), pretende-se discutir os principais motivos e os
destinos procurados pelos ilhéus nessa fase, para que se
possa, a partir dos conceitos de identidade e os aspectos
históricos vividos no país nessa fase, compreender a
letra e o tema das canções de intervenção contidas no
CD “Música de Intervenção Cabo-Verdiana”, lançada
em 1999. Pretende-se, ainda, por meio das canções Cêu
di S. Tomé e Nhô Kéitone, presentes no CD em questão,
mostrar como estes fatos históricos estão presentes nas
manifestações culturais do povo. Ressalta-se que a música
de Cabo Verde é mundialmente conhecida tornando-se
um dos aspectos culturais mais valorizados do país.


Palavras-chave


Cabo Verde; diáspora; identidade; música de intervenção

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Referências


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