O ciclo da experiência turística e a tourist user experience à luz da convergência e dos novos paradigmas de interação

Cátia Figueiredo, Rui Raposo

Resumo


O turismo, enquanto indústria, foi
metamorfoseado pelo progresso tecnológico, quer ao
nível das estratégias e práticas de negócio inerentes,
como ao nível do empowerment e da participação
do consumidor/utilizador/turista (Buhalis & Law,
2008), enquanto ator do ciclo de experiência turística
– constituído pelos momentos de antes, durante e após
viagem (Raposo, Beça, Figueiredo, & Santos, 2012).
Com o surgimento das ferramentas Web
2.0 (O’Reilly, 2005), os utilizadores/turistas detêm a
capacidade criar conteúdos multimédia, que circulam
de forma convergente através de vários canais de
distribuição, o que permite que os mesmos sejam
disseminados e consumidos por outros turistas/
utilizadores em diferentes momentos da viagem, o
que impacta na construção e vivência da experiência
turística. O turista é também cada vez mais nómada,
podendo aceder à Internet através de dispositivos
móveis como smartphones e tablets, em qualquer lugar
e em qualquer altura (Kleinrock, 2003), o que evidencia
conceitos como o da ubiquidade e a sensibilidade
ao contexto. Decorrendo do contexto identificado,
Neuhofer, Buhalis, and Ladkin (2012) salientam as
alterações operadas pelas Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC) na natureza da experiência turística,
realçando a cocriação de experiências e enfatizando a
expansão do espaço em que estas são criadas.
Noutro prisma, focando os novos paradigmas
de interação e a sua relação com as dinâmicas
comunicacionais referidas, Yeoman (2012) identifica as
interfaces gestuais como um dos futuros impulsionadores
tecnológicos no âmbito do turismo, evidenciando que a
detecção dos movimentos do utilizador, sem o contacto
físico com o display, permitirá uma interação natural
com a informação, distinta dos paradigmas tradicionais.
Assim, e já na atualidade, é possível a concepção de
paredes/vitrines interativas que permitem a exploração
e a manipulação da informação pelos turistas através de
gestos.
O presente artigo pretende referir as
mutações inerentes ao ciclo da experiência turística
tecnologicamente mediada, procurando uma atualização
conceptual, e, por outro, almeja focar um momento de
mediação tecnológica específico, através da proposta
de uma metodologia para a avaliação da tourist user
experience mediada por interfaces gestuais no destino,
durante a viagem.


Palavras-chave


e-tourism; ciclo de experiência turística; IHC; user experience; interfaces gestuais

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