Vantagens práticas da utilização de plataformas participativas para a promoção e disseminação de bens culturais: caso de estudo da Biblioteca Pública Municipal do Porto

Cláudia Lima, Heitor Alvelos

Resumo


Considerando a biblioteca pública como uma força viva
para a educação, cultura e informação (Manifesto Unesco,
1994) e tendo em conta um novo paradigma social
fortemente caracterizado pelas tecnologias digitais e pela
cultura da participação (Cardoso et al., 2005; Castells,
2004; Jenkins 2008), este artigo pretende salientar
a importância de uma reformulação das abordagens
comunicativas das Bibliotecas Públicas Portuguesas nas
plataformas web de cariz participativo. Da observação
feita às presenças na web destas bibliotecas, verificámos
que a utilização das plataformas web para as suas práticas
comunicativas é, em geral, reduzida, nomeadamente no
que diz respeito a redes e media sociais, e a interação com
o utilizador não é particularmente estimulada.
O presente artigo partirá da análise de práticas
desenvolvidas em bibliotecas públicas nos Estados
Unidos que lhes permitiram um maior envolvimento
na sua comunidade de utilizadores e que se enquadram
no que Casey e Savastinuk (2007) designaram como
biblioteca 2.0, um modelo de biblioteca ajustado a cada
instituição em particular e centrado na sua comunidade
de utilizadores específica. A análise de abordagens
comunicativas nas plataformas web participativas de
uma biblioteca em particular, a Austin Public Library, bem como as informações prestadas pelos responsáveis pela gestão destas plataformas, revelou objetivamente vantagens da sua utilização e do estímulo à participação e envolvimento dos utilizadores nos serviços da biblioteca.
Estando cientes da impossibilidade de uma “importação” total do modelo americano para o contexto português, em parte devido a diferenças de teor económico e cultural, pretendemos identificar práticas que, não sendo importadas, possam ser estruturadas especificamente em função da realidade encontrada em Portugal.
Centraremos este artigo na observação de práticas comunicativas na web de uma biblioteca pública portuguesa específica, a Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP), considerada como uma das mais importantes do nosso país. Com 180 anos, estima-se que as suas coleções contemplem cerca de 1,5 milhões de itens provenientes desde o séc. IX até à atualidade, e que incluem manuscritos, cartografia, iconografia, impressos raros, um conjunto de espólios e correspondências de escritores e artistas nacionais, entre outras espécies.
Desde a sua fundação foi atribuído a esta instituição o que é hoje conhecido como Depósito Legal, permitindo-lhe reunir uma vasta coleção de documentos que constituem um precioso retrato da sociedade portuguesa ao longo de vários séculos. Não obstante, verificámos nesta instituição a ausência de hábitos conducentes à criação de redes de conhecimento, nomeadamente através de plataformas digitais participativas. Esta biblioteca não tem um site próprio e não se encontra presente em redes ou media sociais.
Neste sentido, serão apontadas vantagens da virtualização e descentralização de serviços da BPMP nas plataformas web não só para ampliar o alcance das suas práticas comunicativas e das suas coleções e serviços a um público mais abrangente e geograficamente distante, mas também enquanto contributo para a preservação de documentos históricos.


Palavras-chave


biblioteca 2.0; biblioteca pública; Biblioteca Pública Municipal do Porto; cidadania; Web 2.0

Texto Completo:

PDF

Referências


Abbas, J. and Agosto, D. E. (2011). “Bringing it all together: What does it mean for librarians who serve teens”, in Agosto, D. E. & Abbas, J. (ed.), Teens, Libraries and Social Networking: What Librarians Need to Know. Santa Barbara, Libraries Unlimited, pp. 169–176.

Alvim, L. (2007). Blogues e Bibliotecas: construir redes na Web 2.0. Cadernos BAD, 1, pp. 38-74. http://www.apbad.pt/CadernosBAD/Caderno12007/LAlvimCBAD107.pdf (acedido a 19 de Julho de 2012).

Alvim, L. (2011). As Redes de Comunicação nas Bibliotecas. Porto. Tese de Mestrado em Ciência da Informação, Universidade Portucalense.

Anderson, C. (2007). A Cauda Longa: Porque é que o futuro dos negócios é vender menos de mais produtos. Lisboa: Actual Editora.

Bolan, K.; Canada, M. and Cullin, R. (2007). Web, Library, and Teen Services 2.0. Young Adult Library Services, 5(2), pp. 40-43.

Cabral, L. and Meireles, M. A. (1998). Tesouros da Biblioteca Pública Municipal do Porto. Lisboa, Inapa.

Cardoso, G.; Costa, A. F.; Conceição, C. P. and Gomes, M. C. (2005). A Sociedade em Rede em Portugal. col. Campo da Ciências. Porto: ed. Campo das Letras.

Casey, M. E. and Savastinuk, L. C. (2007). Library 2.0: A Guide to Participatory Library Service. New Jersey: Information Today, Inc.

Castells, M. (2004). Galáxia Internet - Reflexões sobre Internet, Negócios e Sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Jenkins, H. (2008). Cultura da Convergência. São Paulo: ed. Aleph.

Leitão, P. (2009). “Livros, Leituras e Redes Sociais”, in Calixto, J. A. (ed.), Bibliotecas para a Vida II – Bibliotecas e Leitura. Lisboa. Colibri/CIDEHUS/UE/Biblioteca Pública de Évora, pp. 435-458.

Leitão, P. (2012). O Catálogo 2.0 e os catálogos das bibliotecas públicas em Portugal. Cadernos BAD, 11. http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/322 (acedido a 28 de Dezembro de 2012).

Lima, C. and Alvelos, H. (2012). “Virtualização da Biblioteca: Novas abordagens face à emergência de culturas digitais”. Proceedings of 6th International Conference on Digital Arts. Artech 2012 - Crossing Digital Boundaries.

Margaix Arnal, D. (2008). Informe APEI sobre web social, 2008. APEI, Asociación Profesional de Especialistas en Información. Espanha. Disponível em http://eprints.rclis.org/bitstream/10760/12506/1/informeapeiwebsocial.pdf (acedido a 13 de Março de 2012).

Seoane-García, C. (2009). “La Biblioteca 2.0: De la biblioteca expositiva a la biblioteca interativa”, in Calixto, J. A. (ed.), Bibliotecas para a Vida II – Bibliotecas e Leitura. Lisboa. Colibri/CIDEHUS/UE/BibliotecaPública de Évora, pp. 67-80.

Summers, H.; Pierson, R.; Higgins, C.; and Woodring, R.(2011). “Pages, Profiles, and Podcasts: How Charlotte Mecklenburg Library engages teens trhough social networking”, in Agosto, D. E. & Abbas, J. (ed.), Teens, Libraries and Social Networking: What Librarians Need to Know. Santa Barbara, Libraries Unlimited, pp. 151–167.

Unesco (1994). ‘UNESCO Public Library Manifesto’. Disponível em http://www.unesco.org/webworld/libraries/manifestos/libraman.html (acedido a 21 de Novembro de 2012).

Weinbeger, D. (2007). Everything is Miscellaneous: the power of digital disorder, New York: Holt Paperbacks.