A ressignificação das memórias nas redes sociais na internet

Mágda Rodrigues da Cunha

Resumo


A crescente apropriação e produção de conteúdos por
intermédio das redes sociais na internet constituem, no
atual contexto, um novo formato de memória, individual
e coletiva, simultaneamente. São múltiplas narrativas
que somadas constroem um texto, com fragmentos
independentes, assumindo novos significados a cada
leitura e soma de outra informação postada. Neste texto,
pretendemos fazer uma reflexão sobre alguns pontos desta
grande memória que vem sendo tecida coletivamente,
a partir das percepções e experiências individuais
dos sujeitos, do esquecimento e do abastecimento
permanente.
Memória – redes sociais – internet – ressignificação –
esquecimento
As investigações a respeito da memória
envolvem tradicionalmente uma perspectiva linear,
considerando passado, presente e futuro e a observação
destes tempos exatamente no lugar onde ocorreram. As
memórias pessoais também foram tratadas, em certa
medida, de forma individual, como experiências vividas
apenas por uma pessoa, fazendo parte da sua história de
vida. Com o surgimento e apropriação das redes sociais na
internet, esta forma de investigar e considerar a memória
passa por um processo de complexificação. Nas redes e no
ciberespaço contamos histórias de todas as épocas para
muitos, tantos quantos possam e desejem acompanhálas.
Mas também deixamos nossos registros e percepções
sobre os lugares que visitamos, as experiências que
vivenciamos, nos diferentes períodos da vida.
Em nossas reflexões sobre memória e redes
sociais, identificamos uma dimensão em torno do tema
que está relacionada ao cruzamento destas memórias e
especialmente à ressignificação das memórias individuais
para aqueles que as produzem, mas também para os
que leem. Somos hoje mais influenciados por nosso
passado, pelos constantes reencontros no tempo presente,
por intermédio da leitura nas redes, como também
influenciados pelas memórias alheias, nos rastros que
vão sendo deixados pelos sujeitos. Nosso objetivo é
apresentar os casos observados nas redes e analisar a
ressignificação da memória no entrecruzamento de dados
registrados no ciberespaço. Neste texto, vamos refletir
sobre a memória produzida nas redes sociais FourSquare
e Instagram, observando as camadas de significado
deixadas pelos produtores de conteúdo em relação a
determinados lugares. Neste texto, não temos o objetivo
direto de trabalhar com a informação geolocalizada. Ela
é aqui uma estratégia, um filtro para rastrear as marcas
que constituirão a grande memória sobre as experiências
vividas naqueles espaços. Com certeza, as narrativas
dizem muitos sobre os lugares e permanecerão como
mais uma marcação na larga história.
Nesse contexto, misturam-se memória, como
lembrança, mas também esquecimento, como referem
alguns autores. Pretendemos também aqui iluminar
aspectos que envolvam o registro dos acontecimentos
neste contexto e refletir sobre as informações que vão
sendo armazenadas neste processo sobre a vida cotidiana
nas cidades. Consideramos que são alguns aspectos,
entre muitos, que se fazem relevantes na composição
desta memória em rede, em constante atualização no
tempo presente.


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Referências


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