O Figurino na Construção das Personagens e do Drama da Ficção Cinematográfica

Alexandra Cabral, Carlos Manuel Figueiredo

Resumo


Nos filmes Vertigo (Alfred Hitchcock, 1958), La Strada
(Federico Fellini, 1954) e The Philadelphia Story (George
Cukor, 1940), tanto a qualidade dos figurinos como a
escolha criteriosa dos mesmos para cada cena vai de
encontro à própria realização no seu todo, sendo que os
mesmos assumem posições particulares na composição,
narrativa e significados das personagens – tornado
claro que sem eles as histórias do quotidiano não seriam
contadas na sua plenitude.
A performance do actor, impulsionada por uma postura
e atitude inerentes à personagem que interpreta, é
reforçada na sua interiorização e ao nível da projecção
do seu papel, por ser emoldurada por uma dialéctica
em que o figurino - no seu sentido lato, incluindo
maquilhagem e acessórios - assume umas vezes plano de
relevo como elemento narrativo e outras apenas compõe
a mise-en-scéne.
É uma leitura de conjunto, aquela do espectador, fruto
de um minucioso design de produção que possibilita a
recriação de envolvências e espaços íntimos, sociais
e não lugares, facilitando a apropriação e vivência
desses espaços pelos personagens e logo pelo espectador.
Considerando que a imagem da personalidade
projectada é interpretada segundo um determinado
sistema perceptual com referências ao imaginário
colectivo, as emoções despoletadas convergem,
simultaneamente, com a ilusão de realismo pretendida
no guião e pelo próprio realizador, e tal só é possível
pela recriação de certa visualidade cénica, iluminação
e uso de determinados adereços, para além da escolha
dos figurinos.


Palavras-chave


figurino; moda; design de produção; quotidiano; performance; narrativa

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Referências


Referências Bibliográficas:

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Filmografia:

La Strada (1954), Dir. Federico Fellini, Itália.

The Philadelphia Story (1940), Dir. George Cukor, USA.

Vertigo (1958), Dir. Alfred Hitchcock, USA.