Novas ferramentas de comunicação online, arquivo e anotação em vídeo para base de dados nas artes performativas

Pedro Azevedo, Maria João Centeno, Maria João Centeno, Stephan Jürgens, Stephan Jürgens

Resumo


Vivemos num mundo em constante mudança.
A uma velocidade impressionante, todos os dias surgem
novos recursos tecnológicos. Utilizamos cada vez mais a
Internet para obter e partilhar informações e assistimos
ao aparecimento recursivo de novas ferramentas de
comunicação online. Os últimos anos trouxeram-nos o
Facebook, o Twitter, o YouTube e outras plataformas
de comunicação. Elas permitem uma interatividade
ainda maior entre emissor e recetor. Ao mesmo tempo,
assistimos a uma disponibilização de conteúdos como
nunca antes. Estamos cada vez mais a partilhar textos,
vídeos, fotos, etc.
Esta comunicação pretende explorar o potencial
que essas novas ferramentas de comunicação online têm
no âmbito cultural, nomeadamente qual o seu papel na
criação de novos públicos, em fornecer informação, bem
como qual o contributo para a construção da memória
das organizações.
A transitoriedade das artes performativas
é acompanhada pela necessidade de contrariar essa
transitoriedade, por meio de documentação e registos.
Este desejo de “salvar” os eventos e o processo criativo
atinge a sua expressão com o arquivo de informações
dos diferentes momentos de produção, bem como a
oportunidade de registar o evento e o processo de criação
e produção do mesmo e apresentá-los através, por
exemplo, das plataformas digitais.
Esta comunicação pretende responder às
seguintes questões: quais as novas ferramentas de
comunicação online utilizadas pelas companhias de teatro
de Lisboa e Vale do Tejo? De que forma a disponibilidade
de conteúdos e respetivo arquivo contribuem para a
memória das organizações? Como poderá ficar registado
o processo criativo?
Entre as várias referências, abordaremos o
modelo de comunicação de dois sentidos que Grunig e
Hunt (1984) nos apresentam e o conceito de mass selfcommunication
de Castells (2010). Para Kirsner (2010),
entramos na era da criatividade digital, em que os artistas
têm as ferramentas para fazer o que imaginam e o público
já não quer apenas consumir os bens culturais, mas sim,
ter uma voz e participar. O processo criativo está agora
dependente da escolha do público enquanto vagueia pelo
ecrã. É o recetor que é detentor de um objeto que pode ser
trocado. A realidade virtual tem incentivado o receptor a
abandonar a sua posição de observador passivo e tornarse
um agente participante, o que implica um desafio às
organizações: inventar novas formas de interface.
É igualmente relevante falar de Foucault (1969)
e Gisbourne (2008), que abordam as questões do arquivo
e da disponibilidade de conteúdo. Na comunicação
é também apresentado o projeto TBK (Transmedia
Knowledge-Base for Performing Arts), uma base de
conhecimento, em que podem existir diferentes tipos
de materiais, documentos anotados e peças de autores
que se interessam pela partilha dos seus conhecimentos
específicos. No âmbito do projeto foi criada a ferramenta
creation-tool, um anotador vídeo original, concebido para
auxiliar os processos criativos nas artes performativas,
funcionando como um caderno digital para anotações
pessoais.
É nossa intenção apresentar novas e eficazes
ferramentas online que podem ser utilizadas pelas
organizações culturais, a melhor forma de as gerir e como
a disponibilização de conteúdos online e o seu arquivo
podem contribuir para memória das organizações.


Palavras-chave


ferramentas de comunicação online; arquivo; anotação em vídeo; artes performativas

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