Retrofuturismo e cultura steampunk: apropriações no contexto brasileiro

Éverly Pegoraro

Resumo


Um verdadeiro fascínio pelo passado tem acompanhado
a sociedade contemporânea. Entretanto, percebe-se
que essa admiração assume características distintas,
principalmente entre algumas culturas urbanas adeptas
do retrofuturismo, entendido como a mistura entre
elementos do passado (numa caracterização retro) com
tecnologia futurística. Trata-se de uma transgressão
negociada entre passado, presente e futuro que explora
os limites e as tensões entre a racionalidade e a alienação
provenientes dos avanços da tecnologia. Este artigo
propõe-se a detalhar algumas das características do
retrofuturismo encontradas em uma de suas vertentes: a
cultura urbana conhecida como steampunk, cuja origem
se deu na literatura de ficção científica. A proposta
do texto divide-se em duas partes. A primeira analisa
alguns aspectos do discurso retrofuturista, utilizando
dois filmes como ponto de partida: The Golden Compass
(2007) e 9 (2009). A segunda etapa centra-se na
concepção retrofuturista do steampunk e sua respectiva
ressignificação pelos adeptos que compõem a Loja
Paraná do Conselho Steampunk, localizada em Curitiba,
capital do Estado do Paraná, no Brasil.


Palavras-chave


retrofuturismo; Steampunk; visualidade; sociabilidade; cultura da mídia

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