Entre a palavra, a imaginação e o som: imagética e metáfora na pedagogia coral infantil

Janete Costa Ruiz, Maria Helena Vieira

Resumo


A utilização de imagens, metáforas e demais linguagens figurativas tem feito parte da tradição na pedagogia vocal. A maioria das expressões figurativas empregues por maestros e professores destina-se a induzir ajustamentos fisiológicos, bem como acústicos, visando alcançar um som livre de tensões, afinado, ressonante e vibrante. No entanto, e porque quando se dirige a um coro um maestro não pode ter uma ação pedagógica individual para cada coralista, algumas imagens e metáforas parecem ter um efeito positivo no grupo, promovendo neste o desenvolvimento de competências técnicas e de outras, expressivas, que transportam cada cantor para uma dimensão interpretativa, criativa e intangível. Em particular, quando aplicadas na comunicação com um coro infantil, estas expressões surgem como uma ferramenta pedagógica eficaz, se adaptadas à idade, interesses e níveis de desenvolvimento, concorrendo para uma fusão entre o material (a fisicalidade da respiração, da postura, do som) e o imaterial (a expressão das emoções, dos sentidos do texto literário, a desenvoltura da expressividade musical e a comunicação com o público). A sua eficácia parece resultar do estímulo conjugado da imaginação com a capacidade de comunicação interpessoal. Este artigo tem por base um estudo de caso desenvolvido no âmbito do Programa de Doutoramento em Estudos da Criança, na Universidade do Minho, no qual, partindo dos depoimentos de jovens coralistas, se discute se e como a linguagem figurativa afeta a sua percepção musical e como ela participa no desenvolvimento das suas competências musicais e vocais, unificando a palavra dita, a imaginação, o corpo, a voz e o som numa realização musical significativa.


Palavras-chave


imagética; metáfora; coro infantil; pedagogia coral

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