A iliteracia moral e política no Terceiro Reich e o trauma da memória do Holocausto na geração do pós-guerra: "Der Vorleser" [O Leitor] (1995) de Bernhard Schlink

Ana Maria Pinhão Ramalheira

Resumo


Internacionalmente celebrizado pela aplaudida adaptação ao cinema realizada por Stephen Daldry (2008), o romance Der Vorleser [O Leitor] (1995), da autoria do escritor, jurista e professor de Direito alemão Bernhard
Schlink (*1944), levanta uma série de questões que ganham hoje em dia, numa aparente “Europa alemã” (expressão usada por Thomas Mann em contraponto a uma “Alemanha europeia”) e a braços com uma grave crise financeira e política, uma relevância muito especial. Refiro-me especificamente à problemática da iliteracia stricto sensu, mas também à iliteracia moral e político-social, ao trauma da memória do Holocausto na geração alemã do pós-guerra e às formas diversas de lidar com um passado (Vergangenheitsbewältigung), cuja “longa sombra” (tomando de empréstimo a feliz expressão “der lange Schatten der Vergangenheit” de Aleida Assmann) se projecta inexoravelmente no presente. Será fundamentalmente nestes temas que me deterei, tentando reflectir sobre a forma como a História recente continua a ocupar e a marcar as diversas gerações alemãs desde os anos 30 do século XX, sobre o futuro de uma Europa nascida do trauma da Segunda Guerra Mundial e ainda sobre a questão da banalidade do mal.

Palavras-chave


O Leitor; Bernhard Schlink; Vergangenheitsbewaltigung; geração alemã do pós-guerra; europa; trauma do passado; banalidade do mal

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