De Basho a Leminski: o caso dos haiku de guerra

José António Gomes

Resumo


Num colóquio subordinado ao tema “Caim e Abel: família e conflito”, cabe um estudo sobre modos literários
de representação da guerra – que é sempre um combate entre homens, uma luta fratricida. O género escolhido é o haiku ou haicai que, entre os seus traços de origem, conta, além da brevidade extrema e da contenção retórica, com uma atenção peculiar às coisas da natureza, à qual não são alheias a atitude contemplativa
e pacífica do poeta e monge viandante e, no caso japonês, a filosofia budista. Dir-se-ia, pois, que nada mais refractário à violência da guerra do que o haiku. Não é essa, contudo, a realidade com que depara o estudioso de um género que, sendo japonês de origem, conheceu expansão prodigiosa por todo o mundo ocidental, a partir de finais do século XIX, com inumeráveis cultores nos principais idiomas de matriz europeia. Do japonês Bash¯o (séc. XVII) ao brasileiro Paulo Leminski (finais do séc. XX), passando pelos poetas franceses que combateram nas trincheiras da Primeira Guerra (Julien Vocance, René Maublanc e outros) ou ainda pelos cultores japoneses do género que a seu modo foram vítimas também do segundo grande conflito mundial, o haijin confronta-se, mais vezes do que provavelmente esperaria, com o horror da guerra. E o haiku é uma forma outra, por vezes surpreendente, de o exprimir.

Palavras-chave


Caim e Abel; guerra; haiku; poesia japonesa; poesia francesa; poesia brasileira

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