O punhal de Caim: configurações literárias e conflitos familiares: um estudo de "Corá" (1932), de José de Mesquita

Elisabeth Battista

Resumo


A trágica narrativa bíblica do Livro de Gênesis, Caim e Abel, aponta para uma “estética da perplexidade”, sugerindo ampla gama de possibilidades de reflexão para a humanidade que, desde tempos imemoriais, busca respostas para os seus conflitos existenciais. É pela instalação de um efeito de perplexidade no leitor, que a criação literária tem presentificado expressivas tendências do espírito contemporâneo, catalisando angústias e inquietações perturbadoras de nossa época. Nos estudos que estamos realizando sobre a narrativa
ficcional produzida em Mato Grosso, nos anos 30 do século XX, localizamos a obra Corá, de autoria de José de Mesquita, objeto da presente comunicação que, produzida em 1930 foi publicada, pela primeira vez, em 1932, na Revista Nova (1931-1932), em São Paulo, cujos Editores eram Paulo Prado, Mário de Andrade e Antônio de Alcântara Machado – reconhecidos escritores modernistas da literatura brasileira. O título da obra leva o nome da personagem central cuja constituição forja-se emblematicamente. A atmosfera
trágica configura-se a partir dos conflitos nas relações interfamiliares. Pretende-se, à luz do ensaio de Antonio Cândido de 1968, “A personagem do romance”, ali definida como entidade fictícia que vive os fatos que compõem o enredo da narrativa, investigar a substância de que são feitas as personagens estabelecer possíveis confrontos e confluências entre esta referida obra, ainda pouco estudada de José Mesquita, e a narrativa bíblica Caim e Abel. Atenção ainda será dada, em nossa apresentação, a elementos do contexto histórico, social e cultural, do modernismo em Mato Grosso.

Palavras-chave


literatura brasileira; narrativa; personagem; trágico; Corá; José de Mesquita

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