O conflito Caim-Abel: uma leitura exegético-bíblica

Júlio Franclim do Couto e Pacheco

Resumo


O autor anónimo do século X, de tradição javista, faz uma leitura “actual” dos problemas da vida do povo hebreu, encontrando a sua explicação em estilo de mito do início. O conflito Caim-Abel, assim colocado, é usado para entender os conflitos familiares, mas sobretudo aquilo que o autor entende como auto-
destruição do povo.
O processo de sedentarização que as tribos hebreias foram sofrendo teve como consequência a perda de vários valores que durante séculos foram fundamentais para a sobrevivência do povo.
Antes da sedentarização que, ao tempo do autor, já tinha uma história de cerca de trezentos anos, o valor fundamental, fonte de todos os outros valores, assentava na solidariedade tribal. Ao tornar-se agricultor (“caim”) os elementos do povo perderam progressivamente o sentido de fraternidade do povo nómada/pastor (“abel”).
Para o autor, Deus não pode olhar com bons olhos a situação do povo do seu tempo, nem sentir-se agradado
com o culto prestado. O povo/agricultor/Caim matou o povo/pastor/Abel.
A condição para o povo se manter na Terra prometida era ”honrar o pai e a mãe”, isto é, respeitar os valores
do passado. Porque rejeitaram estes valores, o castigo será uma vida errante, que foi acontecendo ao longo da história do povo hebreu.

Palavras-chave


Bíblia; conflito; fratricídio

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