Migrações e fronteiras no Distrito Federal: a integração linguística como garantia dos direitos humanos

Sabine Gorovitz, Susana Martínez Martínez, Christine Deprez

Resumo


O presente artigo tem como objetivo descrever o projeto acadêmico, em fase de desenvolvimento, de inserção linguística dos imigrantes, oriundos de diversas localidades, que chegam em Brasília. De fato, um dos principais obstáculos encontrados por essa população no momento de sua chegada e nos primeiros contatos com as entidades de assistência é linguístico. Para tanto, busca-se implementar um sistema de comunicação linguisticamente inclusivo, capaz de integrar a população imigrante e refugiada aos sistemas de prestação de serviços públicos nas áreas de saúde, trabalho, Centros de Referência de Assistência Social, Centros de Referência Especializados de Assistência Social, Comitê Nacional para os Refugiados e Polícia Federal, e o Instituto de Migrações e Direitos Humanos, contribuindo assim para a efetivação do exercício dos diretos humanos dessa população. O projeto visa, num primeiro momento, formar e alimentar um banco de intérpretes
voluntários e bolsistas, para atender às demandas mais emergenciais. Além disso, trata-se também da criação de um aplicativo capaz de auxiliar a comunicação com diversos recursos linguísticos (bancos terminológicos multilíngues, plataforma multilíngue de informações sobre direitos e deveres dessa população, geolocalizador de intérpretes, etc.). Sugere-se assim que um sistema de comunicação linguisticamente inclusivo, tal como o que visamos implementar, será capaz de facilitar a gestão e eventual integração da população imigrante e refugiada aos sistemas de prestação de serviços públicos. Desenvolvida no âmbito acadêmico, enquanto programa de extensão, essa iniciativa permitirá consolidar pesquisas anteriores, num contexto de ação social
que engloba todas as competências desenvolvidas nos cursos oferecidos pelo Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução. Além disso, trata-se de fortalecer a formação profissional dos estudantes e colocar em prática os conhecimentos linguísticos que desenvolvem ao longo de sua formação. Serão também orientados sobre questões ligadas à manutenção dos direitos humanos e aos trânsitos de populações na atualidade.

Palavras-chave


imigração; integração linguística; tradução; interpretação; terminologia; tecnologia inclusiva

Texto Completo:

PDF

Referências


Appadurai, A. (2013). The Future as Cultural Fact: Essays on the Global Condition. Verso.

Auer, P. (1998). From codeswitching via language mixing to fused lects: Toward a dynamic typology of bilingual speech. The International Journal of Bilingualism, 3, 309-332.

Bhabha, H. O. (2003). Local da cultura. Belo Horizonte: UFMG.

Canclini, N. G. (1997). Culturas Híbridas – estratégias para entrar e sair da modernidade. Tradução de Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. São Paulo: EDUSP.

Cavalcanti, L.; Oliveira, A. T.; Tonhati, T. (2014). A inserção dos imigrantes no mercado de trabalho brasileiro. Brasília: Cadernos do Observatório das Migrações Internacionais.

Myers-Scotton, C. (1993). Social motivations for codeswitching. Evidence from Africa. (Oxford studies in language contact). Oxford: Clarendon.

Deprez, C. (1994). Les enfants bilingues : langues et familles. [Note bibliographique]. Revue européenne. Paris : Didier, CREDIF (coll. “Essais”).

Fergurson, C. A. (1991). Diglossia revisited. Southwest Journal of Linguistics, 10 (1), 214-234.

Fishman, J. A. (1967). Bilingualism with or without diglossia; diglossia with and without bilingualism. Journal of Social Estudies, 23 (2), 29-38.

Fraser, N. (1990). Rethinking the private sphere: a contribution to the critique of actually existing democracy. Social Text, 25/26, 55-80

Hall, S. (2000). Diásporas ou a lógica da tradução cultural. Conferência de abertura, VIII Congresso da ABRALIC – Associação Brasileira de Literatura Comparada. Salvador. Tradução: Beth Ramos.

Heine, B. H., Kuteva, T. (2005). Language Contact and Grammatical Change. Cambridge: Cambridge University Press.

Hudson, A. (1991). Towards the systematic study of diglossia. Southwest Journal of Linguistics, 7, 5-15.

Krebs, V.; Climent-Ferrando, V. (2012, março). Languages, Ciberspace, Migrations. In L. Vannini; H. N. L. Le Crosnier, Towards the multilingual cyberspace. C&F edition, 228-246.

Migge, B., Léglise, I., Bartens, A. (2010). Creoles in Education, An appraisal of current programs and project. John Benjamins.

Milroy, L., Muysken, P. (Eds). (1995). One speaker, two languages: Cross-disciplinary perspectives on code-switching. New York, NY: Cambridge University Press.

Levy, M. S. F. (1974). O papel da migração internacional na evolução da população brasileira (1872 a 1972). Revista Saúde Pública, 8 (supl.). São Paulo, 49-90.

Instituto Migrações e Direitos Humanos. Relatório de Atividade 2015 http://www.migrante.org.br/images/arquivos/Relatrio%202015%20verso%20Finalissima.pdf

Pauwels, A. (1988). Diglossic communities in transition: the cases of the Limburgs and Swabian speech communities in Australia. International Journal of the Sociology of Language, 72, 85-100.

Pessar, P. R. (1999). Role of Gender, Households, and Social Networks in the Migration Process: A Review and Appraisal. In Ch. Hirschman; J. DeWind; Ph. Kasinitz, (Eds.), The Handbook of International Migration: The American Experience. New York: Russell Sage Foundation.

Pateman, C. (1988). The sexual contract. Stanford University Press.

Ross, M. D. (1999). Exploring metatypy: How does contact-induced typological change come about?. Keynote talk, Australian Linguistic Society’s annual meeting, Perth. Disponível em: http://rspas.anu.edu.au/linguistics/mdr/Metatypy.pdf.

Sadiqi, F. (2003). Women, gender, and language in Morocco (Vol. 1). Brill.

Saillard C. (2000). Nommer les langues en situation de plurilinguisme ou la revendication d’un statut (le cas de Taiwan). Langage et société 1/2000 (91), 35-57.

Thomason, S. G., Kaufman, T. (1988). Language Contact, Creolization, and Genetic Linguistics. Berkeley: University of California Press.

Velasco Ortiz, L. (2007). Migraciones indígenas a las ciudades de México y Tijuana. Papeles de población, 13(52), 183-209.

Winford, D. (2003). An Introduction to Contact Linguistics. Oxford: Blackwell.