Representação da fronteira em Ruy Duarte de Carvalho

Hilarino Carlos Rodrigues da Luz

Resumo


Num contexto constante de circulações, de passagens entre fronteiras, bem como entre géneros literários diferenciados, Ruy Duarte de Carvalho metamorfoseia a produção discursiva em documento vantajoso para os estudiosos da cultura. Nele encontramos, através de uma representatividade concreta uma forma de estar no mundo angolano, e, em inferência um outro modo de expressar, conhecer, projectar, executar e representar fronteiras. Esse processo particular da literatura e do respectivo autor em questão exprime com vocábulos, gestos, reflexos às suas experiências de um homem viator atento, portanto um olhar em paisagens literárias. Essa paisagem apresenta-se como um instrumento oblíquo de transculturação que pode encurtar olhares, mundos e fronteiras. O trabalho com a realidade é visível através de um sistema de representação material arquivístico e dinâmico, no qual se pode reinscrever vestígios de memória e de espaços colectivos. Esse procedimento memorio-discursivo é uma forma de reapropriar lugares,
organizar sentidos, discursos em tempos pretéritos, e uma forma de representar a paisagem e o espaço do sul de Angola.

Palavras-chave


Angola; Ruy Duarte de Carvalho; produção literária; paisagens; fronteiras; memória

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