(Des)construção da universidade empreendedora: o caso português

A.D. Daniel, P. Rocha, A. Vitória, C. Rodrigues, A. A. C. Teixeira, M. Preto, G. Brás

Resumo


O sistema de Ensino Superior (ES) em Portugal, à semelhança do que se verifica noutros países europeus, tem observado um conjunto de desenvolvimentos relevantes nos últimos anos. Tais desenvolvimentos são maioritariamente fruto de alterações políticas, sociais e económicas, designadamente a democratização do acesso ao ES; a diversificação do perfil dos estudantes; a crescente multiplicidade de fontes de financiamento por parte das instituições de ensino; a crescente valorização da investigação científica e da produção de conhecimento; bem como a noção, cada vez mais clara, na importância da ligação das universidades ao seu meio envolvente. Tais desafios têm conduzido à multiplicação e complexificação da teia de relacionamentos das universidades com o exterior, impelindo-as a adotar modelos de gestão e governança mais voltados para o mercado. É neste contexto que emerge o conceito de universidade empreendedora, uma universidade que fomenta o empreendedorismo, que transfere conhecimento, que cria e desenvolve empresas, que compete e diversifica fontes de financiamento. Neste artigo parte-se de uma universidade que na sua origem era voltada para o seu interior, centrada essencialmente na investigação fundamental, para se desembocar numa universidade moderna, voltada para o exterior, com uma génese cada vez mais empresarial e empreendedora. Pretende-se debater a inevitabilidade deste novo modelo de gestão e governança das universidades como sendo a única forma destas competirem, tanto por alunos, como por fontes de financiamento alternativas.

Palavras-chave


ensino superior; universidade empreendedora; políticas de educação

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