A febre da guerra: retórica e demagogia em Ifigénia em Áulide

Maria do Céu Fialho

Resumo


Ifigénia em Áulide inscreve-se no questionamento euripidiano sobre a justeza da
guerra, num tempo de decadência e fractura da Hélade, fruto da longa guerra civil que
destruiu cidades, destruiu valores e expôs todas as repercussões da acção funesta dos
demagogos, do perigo que representa a multidão exposta à manipulação pela sede de
riqueza, facilmente obtida na guerra. Os inocentes são as vítimas. O Panelenismo denuncia-
se como uma construção falaciosa. Eurípides utiliza várias modalidades de discursos
de persuasão — sem eficácia persuasiva, mas que desmascaram personagens, sejam os
elocutores ou os receptores desses discursos — para dar mais vida a essa tensão de fim
de século.

Palavras-chave


Eurípides; Ifigénia; retórica; demagogia; Panelenismo

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