Escrever português como segunda língua: perceções e experiências de aprendizagem de estudantes universitários

Conceição Siopa, Luísa Álvares Pereira

Resumo


Num contexto multilingue como o de Moçambique, em que a língua portuguesa é uma língua segunda, as perceções que os estudantes desenvolvem sobre a escrita podem desempenhar um papel importante no aprofundamento das suas competências de escrita, o que na universidade pode ser determinante para o sucesso académico (Barbeiro, L.; Pereira, L. & Carvalho, 2015; Castellotti & Moore, 2002; Lonka et al., 2014). Neste sentido, este estudo visa conhecer o perfil linguístico, as perceções e experiências de escrita de estudantes universitários moçambicanos, ponto de partida de uma pesquisa mais vasta sobre o ensino da escrita académica baseado no género textual. A metodologia utilizada consistiu na aplicação de um inquérito por questionário, desenhado e validado como instrumento de pesquisa, preenchido por 162 estudantes de uma universidade pública moçambicana. Os dados foram analisados de forma qualitativa e os resultados revelam três principais conclusões: Primeiro, a diversidade linguística destes estudantes com 18 línguas maternas. Segundo, a escrita na escola secundária parece ser uma atividade centrada no professor, mais do que uma experiência de escrita centrada no aluno. E, por último, a perceção destes estudantes dos seus sentimentos face à escrita que incluem medo, ansiedade, nervosismo, insegurança, incerteza e responsabilidade. Neste sentido, as conclusões deste estudo apontam para a importância de compreender como a escrita é ensinada e como o método adotado pode estar relacionado com o modo como os sujeitos do estudo se relacionam emocionalmente com a escrita, aspeto importante para gerir a sobrecarga cognitiva inerente à complexidade da produção textual em contexto académico.


Texto Completo:

PDF

Comentários sobre o artigo

Visualizar todos os comentários


Indagatio Didactica | ISSN: 1647-3582

Indexada em
: CAPES/QUALIS (categoria ENSINO, B2 (2015) || RCAAP
Avaliada com o factor de impacto SJIF 2016 = 5.079


Este trabalho é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto UID/CED/00194/2013.